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Crónica do Quotidiano

Ana Pinto

Crónica do Quotidiano

Ana Pinto

Serendipidade

Serendipidade.jpg

«Isto tem de ter uma razão qualquer» – pensamos amiúde.

É tão difícil acreditar em coincidências. É tão difícil deixarmos momentos especiais, significativos, entregues apenas ao mérito do acaso. Achamos sempre que não, que não pode ser, isto teve uma razão para acontecer.

Mas, e se não a houver? E se tudo não passar de caos?

Caos? Não. Não cremos nisso. Não queremos isso! Queremos o universo a dar sinais, o destino a cumprir‑se.

«O meu caminho a cruzar‑se, inadvertidamente, com o teu. O meu olhar absorto a repousar no teu, distraído.» Atentos a partir daí. Conexos. A necessidade vital, que se gera doravante, de contacto. «Pode lá isto ser coincidência!» – cremos.

Mas, e se for? E se não for mais do que isto?

E se não for mais do que vontade de acreditar que é mais? Que se o destino nos une por vontade pré‑escrita, nada do que façamos estará, de facto, errado. É categórico – tinha de acontecer, estava escrito.

Grande demais para caber só no fortuito!

Mesmo que não resulte – era um caminho que tínhamos de percorrer, era uma dor que tínhamos de aprender. E assim, há menos margem para o arrependimento, e a culpa fica mais fácil de resolver – foi o que teve de ser.

Mas, e se não foi? E se pudesse nunca ter sido?

E se o que vivemos pudesse facilmente ter acontecido com qualquer outra pessoa?

O que somos, afinal, no amor? Destino ou apenas uma serendipidade qualquer?

 

Serendipidade 

nome feminino
1. aptidão de atrair a si acontecimentos favoráveis de maneira fortuita; dom de fazer boas descobertas por acaso
2. acontecimento favorável que se produz de maneira fortuita; acaso feliz; descoberta acidental

 

Serendipidade [Reel]

 

 

 

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